sábado, 13 de novembro de 2010

Tahar Rahim e seu Un Prophète



Fim de tarde de uma quinta-feira, como outro qualquer.
Dei uma passada no cinema para recarregar minhas energias, deixar o acúmulo de um dia de trabalho fora da sala de cinema.
Estreando: Un Prophète, do diretor francês Jacques Audiard.
Parei para dar uma conferida na crítica, afixada no mural do Reserva Cultural.
Para falar a verdade, não me ative ao que estava escrito porque o filme ia começar. Li apenas que se tratava de um filme sobre árabes, ou coisa parecida. Pronto, já aguçou minha curiosidade.
Opa, bacana, é esse mesmo. Filme escolhido.
Achei que, pelo título do filme, relaxaria e passaria algumas horas, sossegada.
É por isso que creio que não devemos julgar o produto pela embalagem, pelo nome. Mas, nesse caso, me dei bem. Muitíssimo bem, aliás.
Depois de duas horas e meia de pura adrenalina, confesso que fiquei torta na poltrona, mas não desgrudei os olhos do telão nem por um segundo sequer.





Bem, vamos começar com a história do profeta, ou melhor, de Malik El Djebena, rapaz de dezenove anos que é condenado a seis anos de prisão por ter agredido policiais na França.
E é lá que o filme se passa, mais precisamente numa penitenciária francesa, com maioria de detentos árabes e corsos.
A primeira cena do filme, para mim, é muito marcante, pois mostra o protagonista barbudo, sujo, coçando a cabeça, mãos trêmulas, tentando farejar o que o espera. Assustado, feito um animal selvagem, acuado e amedrontado, Malik parece estar num buraco escuro e claustrofóbico, enquanto espera seu destino.
O roteiro do filme não traz informações sobre o passado de Malik, é como se a vida dele começasse ali, na prisão. Sabemos apenas que é de origem árabe, que fala os dois idiomas: árabe e francês, e que é analfabeto; além de ter passagens por reformatórios e diversas cicatrizes pelo corpo.
Malik é um jovem sem identidade e referências: sem família, passado e religião - o que faz dele um personagem ainda mais instigante. O que mais impressiona é o porte físico do ator, para o papel - excessivamente magro, frágil, com um ar de garoto abandonado -, e de como se transforma física e mentalmente ao longo da história; como uma página em branco, que foi se moldando e se adaptando para sobreviver e tirar proveito das situações, agarrando todas as oportunidades para ter uma vida melhor, menos imunda e humilhante. Além de deter o poder consciente de transformar sua personalidade e face diante aos acontecimentos, recuperando o controle da vida dele. Entra analfabeto e sai graduado, pelo fato de ter estudado. Ora, até Economia e o idioma dos corsos aprendeu.
Esse poderia ser mais um filme sobre sistemas prisionais, mas é justamente a construção complexa e a evolução da personalidade do protagonista que faz de Un Prophète um dos melhores do gênero.
Ainda mais porque o elenco escolhido é genial, como o novato Tahar Rahim, ator praticamente desconhecido no cenário cinematográfico francês; e o veterano Niels Arestrup, que faz o papel de César Luciani, o chefão da máfia corsa que, forçosamente, introduz Malik no mundo do crime, dentro e fora da penitenciária, e o faz um assecla de seu esquema, o árabe muçulmano fazedor do serviço sujo.
Como o filme estreou em junho por aqui, agora, só em DVD. 
E não escrevo mais porque perde a graça.


- Corram, cinéfilos, corram!

(obs. importantíssima: sem falar que, mon Dieu!, Tahar Rahim é uma pintura da natureza, e eu estou apaixonada por ele, eheheheh)


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sábado, 6 de novembro de 2010

Hoje, assim

Tantas coisas para dizer, que eu prefiro ficar calada.
Estrategicamente observando, absorvendo.
Isso faz de mim mais.

Amanhã, quem sabe?

domingo, 1 de agosto de 2010

Ética é artigo de luxo

As pessoas gostam de falar e teorizar sobre as verdades delas, orgulhosas e vaidosas pelo (suposto) efeito que pretendem causar nos outros.
Vociferando e batendo no peito. Batendo no peito e vociferando.
Milimetricamente: gestos e fala mecânica.
A dificuldade é fazer valer essas mesmas verdades, colocando-as em prática em ações simples e corriqueiras no cotidiano delas.
Moral que só serve para terceiros. E a ética?

Retórica inútil...
Retórica inútil... E blablabla!


- Desconfio de pessoas que querem parecer muito "boazinhas". Medo delas!

domingo, 21 de março de 2010

21 de março

Parabéns, ariano!


"Podem ser encontrados aspectos positivos até nas situações negativas e é possível utilizar tudo isso como experiência para o futuro, seja como piloto, seja como homem."

[foto: adriana hanna]


[foto: adriana hanna]
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domingo, 21 de fevereiro de 2010

domingo, 8 de novembro de 2009

Passeio

São Paulo, sete de novembro de dois mil e nove. Vinte e três horas e dez minutos, no visor do celular.
O dia estava quente. Fujo do sol. Sofro: minha pele é muito branca.
Relógio biológico, adequação, isso vem desde que me senti confortável ao passar a minha primeira noite em claro. Silêncio e solidão para pensar, produzir. Preciso me policiar, sempre. Afinal, somos - ou devemos ser, pelo andar da engrenagem - seres do dia.
Ai, mas essa noite estava deliciosa: clima fresco, brisa geladinha batendo no rosto.
Eu, na rua, caminhando, sorvete na mão. Cabelo solto brincando com o vento, roupas leves e esvoaçantes. Liberdade conquistada. Meu perfume - desta vez, masculino - contrastando com o aroma adocicado do sorvete. Bares lotados. As pessoas pareciam felizes, animadas. É o calor, pernas de fora, chinelão, birita nas mesas, papo rolando solto, risos. São as cores, a energia do Verão que se aproxima e aproxima as pessoas.
Olho ao redor, passos lentos para prolongar a sensação de prazer. Que brisa boa. Vontade de mais sorvete, de frutas vermelhas, desta vez. Vontade de dançar. Faz tempo que não danço. House Music. Ando preguiçosa: minha toca, minha vida.
Será que devo ir? Hell's Club? After Hours: não se esqueça dos seus óculos escuros - era o aviso simpático que vinha impresso nos flyers da primeira versão do Hell's. Será? Hummm, ótima ideia.
Cruzo o Viaduto. O vento que vem da 23 de Maio aumenta. Faróis, luzes vermelhas. Compro pastilhas, chocolates, revistas e jornais na banca. O CCSP está fechando. Amanhã tem espetáculo de primeiríssima. Oba, adoro.
Chegando em casa. Amanhã vou à igreja. Agradecer. Sempre.
Viro a chave. Tiro os chinelos. Pés no chão. Obrigada, Senhor, por mais um dia abençoado!

Amanhã tem mais.
Boa noite.


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domingo, 18 de outubro de 2009

Gracias a la vida

Faz tempo que não escrevo. Faltava-me inspiração, talvez. Ou motivos.
Ontem, contudo, tive belos, belíssimos momentos; assim, sem esperar, planejar - o que, na verdade, são as melhores coisas da vida: esperar que o inesperado nos encha de felicidade.
Thiago de Mello estava na Casa das Rosas para lançar o novíssimo livro "Thiago de Mello" (Coleção Melhores Poemas; Editora Global) e para receber merecidas homenagens de amigos, colegas, seguidores e admiradores, no Sarau Chama Poética: “O Coração Latino-Americano”.
Poemas musicados. Poemas declamados. Emoção, choro. Choro, mesmo, de uma amiga dele (perdoem-me, mas não me recordo o nome dela agora, só sei que é fotógrafa) que veio do sul do Brasil especialmente para este evento, apesar do mau tempo e aeroporto confuso, como ela confessou.
Fui para ver Thiago. Ansiosa, queria conhecê-lo pessoalmente, ouvi-lo, sentir a energia dele.
Homem franzino, de expressão e rosto suaves, sem as marcas do tempo, apesar da idade avançada. Estava gripado.

- Gripe de cabloco não pega, afirmou.

Subiu ao palco para declamar os poemas do novo lançamento. Livro firme nas mãos. Leitura precisa. Interrompido pela toce, algumas vezes, justificando a gripe que o pegou.
Thiago tem voz doce e grave. Um cântico. Cântico da floresta. Caboclo abençoado!
Fechei os olhos para absorver inteiramente a magia do momento. Privilégio. Sem contar a beleza da arquitetura da Casa das Rosas. Salões amplos, pé-direito alto, piso de mármore. Lustres majestosos, portas de vidro e madeira imensos, que dividiam, com requinte e charme, todos os ambientes do antigo casarão. O perfume de madeira das portas me inebriava. Cheiro de mato, madeira nova, árvore viva. Prazer à parte.
E, para fechar a noite, anunciaram Mariana Avena, uma das integrantes da primeira formação do grupo Raíces de América.
Meu Deus, não acreditei. Desde pequena, escuto Raíces. Sempre rolava na vitrola lá de casa o vinil do grupo. Cresci escutando esses cabras.
Oh, e como ela canta. Canta muito. Que voz, que energia maravilhosa. Chorei feito criança, pra não variar, heheh. Relembrei minha infância, minha vida, minha casa no interior de São Paulo.
Ela se emocionou também. Depois de trinta anos, estava lá para rever e homenagear o grande poeta. Lindo, lindo.
Olhos vermelhos, voz embargada para falar sobre Mercedes Sosa, companheira de jornada musical, confidente, mestra, como ela mesma declarou.
Mariana fechou o show, com "Gracias A La Vida", de Violeta Parra.
Só arrepios, naturalmente. Voltei para casa flutuando, avenida Paulista brilhava. Luzes, chuva. Muita chuva. A cidade também resolveu se emocionar e homenagear esse encontro, Thiagão, Mercedes, Mariana, a poesia, o belo, a vida...

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando (...)

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nossas crianças

Gostava de quebrar meus brinquedos e arrancar a cabeça das minhas bonecas para "ver o que tinha dentro". Pra mim, aquilo tudo tinha vida: a boneca tinha cérebro, músculos, ossos, veias etc., e eu queria ver, descobrir o lado de dentro.

Ainda me vejo nos olhos deste bebê...

em 1974

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sábado, 26 de setembro de 2009

Cenários de São Paulo

Muito mais.

[fotos: adriana hanna]



Teatro Municipal

Vale do Anhangabaú

Monumento Carlos Gomes

Viaduto do Chá

Solar Marquesa de Santos

Solar Marquesa de Santos

Praça da Sé




[clique nas imagens para ampliá-las]

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

Lubnan, Liban, Lebanon, Líbano

[imagem: adriana hanna]

Teu Líbano e o meu
(Gibran Khalil Gibran)

Tens o teu Líbano e tenho o meu.
O teu é o Líbano político, com seus problemas.
O meu é o Líbano natural e todas as suas belezas.
Tens o teu Líbano, de problemas e disputas; tenho o meu, de sonhos e esperanças.
Contenta-te com o Líbano da tua realidade, como eu me alegro com o Líbano da minha miragem.
Teu Líbano é um feixe de grunhidos políticos, que o Tempo se esforça por desatar;
Meu Líbano é uma cadeia de montanhas e colinas, elevando-se, reverente e majestosamente, na direção dos céus azuis.
Teu Líbano é um problema internacional a ser resolvido;
Meu Líbano é calmo, de vales encantados e cheio dos murmúrios de sinos de igrejas e sussuro de riachos.
Teu Líbano é uma contenda entre um senhor do Oeste e um adversário do Sul;
O meu é uma só montanha, serena, assentada entre o mar e as planícies, como um poeta entre uma eternidade e outra.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Bourbon Street Fest 2009

O Bourbon Street Fest chega à sua 7ª edição e traz os principais nomes do jazz e blues de New Orleans para a cidade de São Paulo.
O evento acontece entre os dias 15 e 23 de agosto.
Ah, e o melhor, nos dias 15 e 23, as apresentaçães serão ao ar livre (ou seja, "di grátis"!), e os palcos estarão montados no Parque do Ibirapuera (dia 15), a partir das 15h00, e na rua dos Chanés (dia 23), a partir das 16h00.
Confira a programação completa no site: Bourbon Street Fest

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terça-feira, 7 de julho de 2009

Céu & Mar de Trablos

Em celebração ao Verão do Líbano: Julho/2009.


[clique na imagem para ampliá-la]


Orla de Al Minnie - Trípoli - Líbano
[foto: adriana hanna]

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domingo, 14 de junho de 2009

Parada Gay de São Paulo

E lá no quintal de casa, na av. Paulista...

É por isso e por tantas outras singularidades que AMO (e muito me orgulha) minha cidade.

[fotos: adriana hanna]

O Símbolo

O Anjo

Sincronicidade de cores, luzes e amores

Energias

Fiesp devidamente paramentada

Largada no Masp

Que leve esse arco-íris a outros céus,
a outras gentes e mentes...

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sábado, 6 de junho de 2009

Deformações do Ego

[foto: adriana hanna]

Todos os sóis de outono dentro do meu peito.
As janelas se fecham e pelas frestas a brisa teima em sair.
Os raios invadem, dilaceram, devastam, revolucionam.
A luz revela aquilo que parece certo,
galhos secos, raízes ocas, terras infrutíferas,
deterioradas pelo tempo, pelo tempo, pelo tempo,
tempo, tempo, tempo... energia exaustiva!

tic-tac
tic-tac
tic-tac
tic
tac
tic
tac...
tic
tic
tic.

domingo, 31 de maio de 2009

Xadrez em dia de expediente

Essas particularidades do cotidiano libanês sempre me fascinaram.
Parava para observar, entender e absorver a complexidade do mecanismo e da teia social de um país tão vibrante - que me tomava por completo -, de um povo que sabe ser feliz, que sabe viver e sorrir, apesar dos inúmeros problemas.


Trípoli.
Norte do Líbano
1999
[foto: adriana hanna]

domingo, 3 de maio de 2009

É Campeão!!!

É Sofrimento! É Visceralidade! É Superação!
É Fidelidade! É Coração a milhão!
Uns dizem até que é Religião...
É Amor Incondicional, certamente!
É a Nação Corintiana...
E é um Bando de Loucos por ti...

É meu Timão, meu!!!
É Campeão!!!



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