Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Céu & Mar de Trablos

Em celebração ao Verão do Líbano: Julho/2009.


[clique na imagem para ampliá-la]


Orla de Al Minnie - Trípoli - Líbano
[foto: adriana hanna]

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Domingo, 14 de Junho de 2009

Parada Gay de São Paulo

E lá no quintal de casa, na av. Paulista...

É por isso e por tantas outras singularidades que AMO (e muito me orgulha) minha cidade.

[fotos: adriana hanna]

O Símbolo

O Anjo

Sincronicidade de cores, luzes e amores

Energias

Fiesp devidamente paramentada

Largada no Masp

Que leve esse arco-íris a outros céus,
a outras gentes e mentes...

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Sábado, 6 de Junho de 2009

Deformações do Ego

[foto: adriana hanna]

Todos os sóis de outono dentro do meu peito.
As janelas se fecham e pelas frestas a brisa teima em sair.
Os raios invadem, dilaceram, devastam, revolucionam.
A luz revela aquilo que parece certo,
galhos secos, raízes ocas, terras infrutíferas,
deterioradas pelo tempo, pelo tempo, pelo tempo,
tempo, tempo, tempo... energia exaustiva!

tic-tac
tic-tac
tic-tac
tic
tac
tic
tac...
tic
tic
tic.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Xadrez em dia de expediente

Essas particularidades do cotidiano libanês sempre me fascinaram.
Parava para observar, entender e absorver a complexidade do mecanismo e da teia social de um país tão vibrante - que me tomava por completo -, de um povo que sabe ser feliz, que sabe viver e sorrir, apesar dos inúmeros problemas.


Trípoli.
Norte do Líbano
1999
[foto: adriana hanna]

Domingo, 3 de Maio de 2009

É Campeão!!!

É Sofrimento! É Visceralidade! É Superação!
É Fidelidade! É Coração a milhão!
Uns dizem até que é Religião...
É Amor Incondicional, certamente!
É a Nação Corintiana...
E é um Bando de Loucos por ti...

É meu Timão, meu!!!
É Campeão!!!



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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

(!)

A escrevinhadora deste blog está em (des)construção.
Por gentileza, volte mais tarde. ;D


Sábado, 4 de Abril de 2009

Monossilábica

Você tem fogo?
Não.
Preciso fumar. Você fuma?
Não.
Café.
O quê?
Quero um café.
Ah.
Conhece alguma cafeteria aqui na Paulista?
Ali.
Gosta?
De quê?
De café.
Sim.
Você vem sempre aqui?
Sim.
Mora perto da av. Paulista?
Sim.
Cansaço.
De...?
Da vida.
É?
É. Você não sente isso, ou já sentiu isso?
Claro.
Estou assim hoje.
É?
É. Sabe, tem dias que me dá um nó na garganta, vontade de chorar, relembrando o que passou... Meu passado, confuso; meu presente, fracassado. Reflexo do que foi, ou melhor, do que não foi. Não fiz. Isso!, não fiz. Já se sentiu assim?
Sim.
Hoje, chorei um pouco. Aliás, chorei muito. De cabeça baixa, chorei, para que os outros não me vissem; molhei a av. Paulista com as minhas tristezas, as minhas angústias. Rastro de inglórias. Falta-me perspectiva, sem saber pra onde ir, o quê fazer? Daí, bateu-me uma fome de cigarro, sabe?
Sei.
Encontrei você. Fome de falar, trocar, entende?
Entendo.
Agradeço.
O quê?
Sua atenção, olhar caridoso.
Nada.
É sério. Se fosse outra pessoa, teria me olhado com uma carranca assustadora.

(sorri)

Tenho de ir, de descer. Muito bom conversar contigo...
Bom.
Sinto-me bem melhor, aliviado.
Que bom.
Tchau. Boa sorte.
Boa...

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Domingo, 1 de Março de 2009

As oliveiras e a terra: riquezas que produzem sabedoria

Apesar da melancolia que transmite,
a camponesa é receptiva, doce e alegre
[tentei conhecê-la aos 14 anos, pela expressão saudosista dela]
Aarges - Zgharta - norte do Líbano - 2000


Nas safras de azeitona, as camponesas sírias vão ao Líbano para trabalhar na colheita, porque boa parte dos libaneses - principalmente os cristãos - não se dignam a se dedicar à lavoura. Atualmente, a maioria da mão-de-obra barata fica por conta de trabalhadores vindos da Síria e do Sri Lanka.
Eu, contrariando o costume, tive a oportunidade de, ao lado de minha mãe, colher azeitonas em nossas terras, herança deixada pelo meu avô materno.
Meus dias como camponesa foram memoráveis e contribuiram para aumentar meu amor pelo Líbano.
Fiz questão de ficar uma semana colhendo azeitonas, limpando minhas mãos na terra e alimentando meu espírito nas oliveiras da aldeiazinha onde minha mãe nasceu. Lembro-me da alegria dela, que parecia uma criança, sentada numa manta estendida no chão, sob os pés das árvores centenárias.
Acordávamos muito cedo, antes mesmo de o sol despontar atrás das colinas e da igreja de Ehden - aldeia de veraneio localizada nas montanhas do norte do país - que avistávamos da nossa casa de pedras brancas.
Preparávamos café, sucos e até lanchinhos que minha mãe teimava em carregar.
Minha função era colher e despejar as azeitonas na manta para que ela pudesse organizá-las. Como ela mesma me explicou, as azeitonas são separadas por qualidade, ou seja, umas são destinadas para extração de azeite e outras, as graúdas, para o consumo em geral.

Meu Deus, como é boa a sensação de ver o sol nascendo entre as oliveiras; ter as mãos repletas (e abençoadas!) de terra, de vida; poder tomar um café fresquinho com aroma de cardamomo; e ter a certeza de que, mesmo sendo um tremendo clichê, precisamos de muito pouco para sermos felizes e termos paz.

Que saudade...!


Mãos maiores que a cabeça
Ela certamente seria uma das musas de Tarsila do Amaral
Aarges - Zgharta - norte do Líbano - 2000


No dia em que a fotografei, ela havia me confessado que, aos 14 anos, teve o rosto tatuado propositalmente para camuflar a beleza dela. Como era apenas uma menina, e ingênua, deixou-se tatuar, afirmou.
Eu disse à camponesa que embora ela não gostasse das tatuagens, as marcas deixadas conferiam-lhe beleza e personalidade.
Ela sorriu mas não concordou.


a netinha dela...
Aarges - Zgharta - norte do Líbano - 2000



[fotos: adriana hanna]

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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

E os tamborins ferveram - Carnaval de São Paulo - 2009

Águia da Gaviões

Perdoem-me pelas fotos fraquinhas (coitado do meu celular sem recursos... um verdadeiro guerreiro, rs!), já que não condizem com a grandeza, beleza e infinita emoção que é o Carnaval da minha amada São Paulo.
*Prometo postar brevemente as fotos que fiz com a minha queridinha Pentax K-1000, "o fusquinha das câmeras fotográficas", ou seja, uma mecânica pau-pra-toda-obra que não deixa o fotógrafo na mão, nunquinha.
I love you, K-1000. Habibi! :)
Muito bem, vamos ao que interessa...
Sem querer ser suspeitíssima devido à minha Paixão Fiel, a Gaviões arrebentou na avenida. Uma das sensações mais indescritíveis do mundo, para mim, é ver a nação corintiana delirando... Todos na mesma batida: "um bando de loucos", definitivamente.
Sei não, e que a coirmã Vai-Vai me perdoe, mas acho que a Gaviões fica entre as campeãs. Na minha rasa concepção de espectadora, o desfile da Gaviões foi original e impecável: as fantasias, alegorias, harmonia, samba-enredo, bateria, energia dos integrantes etc.

Então, cante aí:
"Meu sangue é gavião ô ô ô
Sou o herói guerreiro
Vou na velocidade
Conquistando o mundo inteiro"


Abre-alas da Gaviões da Fiel

Carro alegórico da Gaviões da Fiel

Rendo minha homenagem à magnífica bateria da Pérola Negra, que levantou e empolgou todos os que estavam nos últimos setores do Anhembi. Um dos pontos altos do desfile foi quase na dispersão (hã?) - isso, na dispersão! -, onde a bateria brincou, coreografou, encantou e jogou seu charme irresistível para a galera da arquibancada.
Poucas vezes senti tamanha emoção. Pulei, gritei, cantei e chorei, é claro.
Minhas reverências a todos os integrantes das Escolas, comunidades, pelo amor à bandeira, pelo trabalho apaixonado, árduo e minucioso, para apresentar tanta beleza na avenida.
Nós, os espectadores babões, agradecemos!
Tem também a Acadêmicos do Tucuruvi que me impressionou pelo luxo e beleza. Grande chance de estar entre as campeãs.
Ah, e o "tigrinho" da Império de Casa Verde é o meu mais novo "alvo de desejo". Estou apaixonada por ele, estou apaixonada...
E viva o Carnaval de São Paulo!


O tigre cresceu. Lindo, lindo...

"Patinha" meiga do "tigrinho" de 55 m
da Império de Casa Verde

"Tigrinho" de 55 m da Império
de Casa Verde fecha os desfiles
do Grupo Especial

"Tigrinho" de 55 m da Império de Casa Verde
dá adeus ao público do sambódromo

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Império de Casa Verde

Abre-alas da Império de Casa Verde

Abre-alas da Império de Casa Verde

Abre-alas da Império de Casa Verde

Carro alegórico da Vai-Vai

Carro alegórico da Vai-Vai

Carro alegórico da Vai-Vai

Carro alegórico da Pérola Negra(?)

Abre-alas da Vai-Vai

Abre-alas da Gaviões da Fiel

Abre-alas da Gaviões da Fiel

Comissão-de-frente da Gaviões da Fiel

Carro da Acadêmicos do Tucuruvi

Carro alegórico da Mocidade Alegre

Carro alegórico da Mocidade Alegre

Carro alegórico da Mocidade Alegre

Carro alegórico da Mocidade Alegre

Abre-alas da Pérola Negra

Mestre-sala e porta-bandeira
da Leandro de Itaquera

Carro alegórico da Leandro de Itaquera

Carro alegórico da Leandro de Itaquera

Carro alegórico da Leandro de Itaquera

Abre-alas da Leandro de Itaquera

Ala da Leandro de Itaquera

Ala da Leandro de Itaquera


[fotos: adriana hanna]


(*) Infelizmente não posso cumprir o que havia prometido, já que a qualidade das fotos ficaram muito ruins. Snif.

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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Anjos de branco

Dias desses, conversando com minha irmã mais velha, que é médica infectologista, relembramos dos antigos pacientes dela; os aidéticos, especificamente.
Falamos sobre o início da doença, os sintomas, as peculiaridades e casos que qualquer médico enfrenta no exercício de sua profissão e o padecimento dos doentes.
Ela confessou-me que não se lembrava de alguns episódios, já que, depois de mais de 25 anos de profissão, as histórias dissipam-se, confundem-se, condensam-se na memória - talvez, creio eu, devido a um mecanismo de proteção, filtragem e regeneração psicológica e emocional.
Eu, como ávida perseguidora de emoções inusitadas e realidades chocantes, sempre me meti em situações que pudessem saciar os meus impulsos e curiosidade.
Pois bem, lá pelos meus 18 anos, pedi a ela que me levasse a um dos hospitais no qual trabalhava, no setor de infectologia.
E assim, lá fui eu acompanhá-la ao hospital, com minha curiosidade na bagagem, o coração pulsando a mil dentro do peito e a mente em turbilhão; quieta fiquei, olhos esbugalhados, observando e sentindo cada detalhe, expressão, gesto, diagnóstico, olhar, ação, odor, choro, grito, sofrimento...
As pessoas que conheci naquela manhã faleceram semanas, dias depois, em decorrência da inexorável "Síndrome da Imunodeficiência Adquirida", mais conhecida como AIDS.
Duas crianças hemofílicas, um travesti e um médico homossexual foram os personagens reais e as vítimas de uma doença implacável e agressiva, à época.
As histórias dessas pessoas me marcaram, me emocionaram, obviamente, tanto que carrego-as comigo até hoje, depois de 17 anos.

- Lalo - que é como chamamos carinhosamente nossa irmã -, você se lembra do travesti que conheci no dia em que fui ao hospital, e que estava em fase terminal?
- Não, não me lembro, respondeu, olhando-me curiosamente.

O travesti F., vaidoso até o fim da vida, preocupou-se em saber qual era o cabeleireiro que cuidava das madeixas encaracoladas da Dra. G.

- Doutora, preciso perguntar algo muito importante a você, afirmou F.
- Sim, o que quer saber, F.?
Minha irmã, sabendo que o quadro clínico de F. era crítico, pensou que a pergunta seria referente ao estado de saúde dele, ou algo parecido.
- Doutora G., quem foi o glorioso que cortou o seu cabelo? Está deslumbrante! Quero o mesmo corte quando sair desta cama.
F. morreu dias depois, vítima de insuficiência respiratória e acometido pelo "Sarcoma de Kaposi", uma espécie de linfoma (tumor), com feridas imensas que cobriam-lhe a pele.

Ficamos, então, eu e a Dra. G., relembrando fatos pitorescos, engraçados e tristes e procurando as fotos de um pé necrosado de uma das atuais pacientes dela.

- Annah, olhe esses outros pés infeccionados, percebe que estão melhores, com a evolução do tratamento?

Minha irmã sempre foi uma aluna exemplar, primeira da escola, ganhava prêmios pelo desempenho, comportamento e tudo o mais; e, hoje, depois de tanto tempo, vendo-a estudando incessantemente, após a faculdade, residência, especializações, mestrado, doutorado, pós-doutorado, observo o amor incondicional nos olhos dela, que brilham lindamente pela vocação para salvar vidas.
Ela transforma-se quando fala de medicina, de seus pacientes, das pesquisas, teses e estudos, numa busca incansável a fim de diminuir a taxa de mortalidade em hospitais, devido às doenças infecciosas que atingem muitos pacientes internados. Dados alarmantes, segundo ela.

Fiquei observando-a, admirada. As mãos frágeis de minha irmã movimentavam-se freneticamente.

- Passe a câmera para cá, Annah, deixe-me ver as fotos com mais atenção.

Fechei meus olhos, então, e lembrei-me da jovenzinha apaixonada pelos livros de medicina, carregando-os para cima e para baixo. Passos firmes, determinação pontual e um futuro brilhante pela frente, profetizava comigo mesma, na época.
Meu avô paterno, que também era médico, havia pedido a meu pai:

- S., prometa-me que um de seus filhos seguirá meus passos.
A promessa foi cumprida. Dignamente.

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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Esquentando os tamborins - Carnaval de São Paulo

Emoção, sonho e beleza: imagens do Carnaval de São Paulo em 2008.
E, daqui a 16 dias, estarei lá, feliz da vida (mas sem samba no pé, claro! rs), torcendo pela Gaviões e Vai-Vai e prestigiando uma das festas populares mais emocionantes, lindas e criativas do mundo.

Ensaios técnicos das Escolas de Samba: confira a programação.
Para quem quiser assistir aos desfiles, as informações sobre a venda de ingressos podem ser adquiridas neste site.

[clique nas imagens para ampliá-las]

Simpatia e samba no pé...
E a galera enlouquecida reverenciava o casal

Bateria nota 1 milhão da Tom Maior

Linda e feliz

E o coração quase parou de tanta emoção

Tapete magicamente colorido da Tucuruvi

As baianas giravam...
e o povo da arquibancada delirava

Comissão de frente da...? (não me lembro)

Abre-alas (incrivelmente gigantesco e ma-ra-vi-lho-so)
da Vila Maria

E as rosas se abriam e exalavam o mais fino perfume
Abre-alas da Rosas de Ouro

"...Vou viajar nessa paixão, vou mergulhar nessa história, com amor e devoção, sou Fiel, sou Gavião..."

O gigante da Vila Maria encantando o público

A Gaviões passou e o Anhembi veio abaixo

Abre-alas da Tucuruvi


[fotos: adriana hanna]
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Pinacoteca - Parte III

Visitem: Pinacoteca
































[fotos: adriana hanna]
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Que o hoje seja o nosso eterno*

Quando entre nós só havia risos e confidências.
Quando os mistérios não podiam nem tinham de ser revelados, estímulo saboroso entre nós.
Contemplávamos o horizonte nas íris embevecidas, profundamente apaixonadas.
Tudo parecia muito mais do que deveria ser.
Nossos olhares eram, muitas vezes, incomprensíveis, as palavras fugiam, as faces ruborizavam, o toque bastava.
Eu desenhava sóis em sua fronte, imaginava loucurinhas indizíveis... os raios desses sóis desciam pelo seu rosto, cruzavam seus lábios e se punham num beijo doce e delicado.
Ah, quantas noites passávamos em claro, hein?! Contando estrelas, acordando a vizinhança com nossas estrepolias pueris e gargalhadas contidas. Um brinde na madrugada.
- Com chá e biscoitos, cai bem?
- Tim-tim, amor meu!
Fazíamos planos absurdos para firmar o que considerávamos eterno, pelo menos em nossas mentes e corações, mesmo sabendo que, no fundo, aquilo tudo não passava de emoção efêmera. Ainda assim as nossas juras e promessas selavam uma realidade palpável, por ora, mas sabidamente utópica.
Sonhos infundados e frágeis de dois jovens maduros e absolutamente afinados, a criar e a querer continuamente a felicidade um do outro.
E como fomos (somos) felizes!
O tempo passa, passou, as expectativas também. E o amor se foi, o que parecia inconcebível para nós.
Às vezes penso que grandes amores não se apagam, ou não deveriam se apagar. Mesmo que resistam como uma chama fraca de vela acesa, que sopramos forçosamente, apagando-a, para podermos, talvez, reacendê-la na memória assim que a saudade chamar.
As cartas, os poemas, as músicas e os inúmeros mimos e bilhetinhos que compartilhávamos: legado e memórias táteis que guardamos carinhosamente numa caixa especial com as iniciais dele(a).
A ternura, o zelo e a admiração ficam, invariavelmente.

(*) E que seja finito para que dure...!
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Espírito natalino


Os personagens
:
A mãe e seus dois filhinhos.

A cena:
O filhinho, arrebentando a boca do balão na fila do banco; a mãe, sem sucesso, implorando para seu pimpolho parar de bagunçar; a filhinha, comportada, esperando pacientemente; e eu, atrás deles, na fila.

O diálogo:
- Raul, se você não parar, esta moça (eu, no caso) vai falar para o Papai Noel não trazer seus presentes, viu.
O menino olhou para mim aterrorizado e saiu correndo para se esconder atrás de um vaso. De lá, ele me olhava de soslaio, desconfiado, amedrontado pela ínfima possibilidade de não receber seus presentes tão desejados.
A menininha, que até então estava quietinha, olhou para mim admirada, mas nada falou.
Eu, mesmo sem ser consultada se queria incorporar a função de dedo-duro e palmatória do nosso bom velhinho, acabei assumindo a personagem, para me divertir e passar o tempo, já que aquela fila estava quilométrica e sacal.
Olhei para Raul com uma expressão de reprovação. O que fez com que ele desaparecesse por trás das folhagens do vaso.
Dali há poucos minutos, o molequinho saltava ao redor da mãe, com o olhar colado em mim. Certamente, queria conferir e garantir se meu aspecto correspondia a de uma carrasca natalina.
- Raul, eu disse, seus presentes estão guardadinhos, certo? Estou cuidando deles para você porque sou a assistente do Papai Noel. Mas, olhe, você tem de obedecer sua mãe, combinado?
- Combinado, balbuciou!
Senti-me uma chantagista, de certo modo. Mas, pelo menos, a tática funcionou. Raul parecia como uma mumiazinha, de tão bonzinho e comportado.
Tadinho. Fiquei pensando na inocência das crianças, nas fantasias que elas criam, e que nós, adultos, ajudamos a reforçar.
Nos dias de hoje, é tão lindo poder constatar que essa magia, a magia do Natal, ainda pulsa nos corações da criançada - e de uma forma tão poderosa e... convincente, devo destacar. (eheheheheh)
De repente, e para minha grata surpresa, Mirela, a menininha que permanecia calada, virou-se, olhou fixamente para mim e soltou, com uma voz firme porém suave, uma das coisas mais bonitinhas que escutei nos últimos tempos:
- Assistente, posso pedir uma coisa? Você jura que trará uma Susi para mim, essa é a boneca mais linda do mundo, e esse foi meu único pedido para o Papai Noel. Você jura, assistente?

Vocês, caros leitores, podem imaginar minha cara de boboca e de encantamento.
É, mesmo que atrelado ao consumismo e blablablá, esse é o espírito magnífico do Natal.

Feliz Natal, pessoal, e um 2009 supimpa e cheinho de energias do bem e realizações bacanérrimas a todos vocês!
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Ignácio Horácio

Ignácio Horácio com 1 aninho

Meu peixinho Ignácio Horácio foi-se embora, me deixou, foi pra "terra-dos-pés-juntos" dos peixinhos dourados, depois de quase dois anos fazendo da minha casa um lugar ainda mais alegre e colorido.

Juro por Deus, nunca mais, nunquinha mesmo, aprisiono um peixinho num aquário. Muita maldade minha, egoísmo imenso. Ele sofre(u). Eu sofro. E, valha-me Deus!, como estou sofrendo, como chorei. Merecidamente, aliás.
Esse troço de bichinho de estimação é um caso sério. Foi assim com o Pililico, meu gato, e com o Luguer, meu pastor-alemão. Um chororô danado.

Bem, poderia escrever muito sobre o Ignácio, mas estou triste demais pra isso.
Durma em paz, meu amiguinho!
Já estou com saudades.
:'(

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Convite


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Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Num sábado, por Annah, na Pinacoteca - Parte II













Almeida Júnior

Almeida Júnior















Na Pinacoteca, tudo é transcendental,
a mulher numa pose contemplativa, quase uma escultura viva,
combinada com a real, do lado de cá


Três Figuras, de Lasar Segall

Retrato de Baby de Almeida, de Reis Júnior



O Violeiro, de Almeida Júnior

[fotos: adriana hanna]
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Sebo nas canelas

Ontem fui jantar sozinha, como às vezes gosto de fazer, num restaurante que não conhecia. Adoro experimentar novos pratos e ambientes. Então, como não conhecia o menu da casa, pedi a sugestão do garçom, que, aliás, foi bastante feliz nas escolhas: torradas e patês, de entrada; salada de iscas de frango, alface e croutons; e, para o prato principal, risoto, acompanhado de fritas e filet. Hummm, bom, bom, bom.
Sentei-me num canto, perto da janela, queria ver o vai-e-vem das pessoas, a agitação corriqueira das ruas de São Paulo.
Prefiro degustar as refeições tranqüilamente, apreciando esta arte com todos os meus sentidos.
Ao meu lado, duas mulheres conversavam animadamente. Com a espera pelo prato de entrada, foi inevitável não escutar o diálogo entre as duas, que falavam alto.
Confesso que não estava interessada no que diziam, a voz de uma delas era irritante, me soava pedante, dona de uma verdade falsamente absoluta, até mesmo para ela, já que afirmava aquilo tudo com uma veemência frágil e tola, pois o grau de irritabilidade nas palavras denunciavam uma construção egóica raquítica e subdesenvolvida, uma "estátua de sal", como ela mesma definiu sua vítima - a personagem da noite e a dor-de-cabeça delas, pelo visto.
É incrível como as pessoas são eloqüentes e craques em teorias mirabolantes, que, na maioria das vezes, caem por terra na primeira tentativa de exercitá-las.
Pois bem, para minha felicidade, a entrada estava ótima, desviando minha atenção. Não deixei sequer uma migalha de torrada no prato. Lambi os beiços. Passei a me ater aos transeuntes, que se movimentavam freneticamente pela calçada, conversavam alegremente... risos, passos, buzinas.
Mas a voz daquelas mulheres se sobrepunham ao barulho da cidade. Pensei na salada, a tal da "Rafael". Será mesmo boa? Sou uma "bom-garfo", isso sim.
Minha Nossa, que voz irritante, a da mulher, pensei. Impossível não ouvir o que falava, quase um monólogo, na verdade. Ela bradava e a outra, concordava.
Pois o papo era brabo, ou seja, as duas reservaram o domingo para analisar, julgar e condenar a amiga em comum, criticando os dotes físicos e morais da ré, sem direito à defesa, é claro.
Os comentários eram insistentes e constrangedores.
Um saco, um tédio. Ai de mim. Vem logo, "Rafael"! Na falta de algo melhor, saquei da bolsa o shampoo que havia acabado de comprar, para ler o rótulo: "esqueça-se do desgaste diário",... aqua, citric acid, pareth sulfate, ceramide 2.

- Vulgar, vulgar, vociferava ela! Será que não se enxerga? Uma mulher de 45 anos vestindo roupas daquele tipo, mantendo cabelo de pantera e maquiagem de gatinha. Eu gosto dela, mas, convenhamos, isso é ridículo. Ela quer competir com você, percebeu? Ah, não!

Ahan!, puxa vida, deve gostar muito, pensei.
Glub, glub, meu suco descia seco. Muitos goles para aliviar: - Traga-me mais um, gelo à parte, por favor, Seu garçom.

- Vê como cortei o cabelo?, completou. Um chanelzinho básico, clássico. Reconheço meu corpo e idade, não saio por aí dando vexame e showzinho barato.

Forçosamente, virei-me para observá-la, precisava checar se a descrição correspondia ao perfil real da loba-uivante, além de detectar de onde vinha tanta amargura.
Bela até, um pouco cheinha, a camisa branca denunciava suas gordurinhas localizadas; o cabelo, "estilo chanel", a envelhecia, porém, o rosto e a pele eram intactos, sem rugas nem marcas de expressão. No entanto, a alma era incrivelmente pesada, aparentando uns 80 anos, ou mais - muito, muito mal vividos, creio eu.
Antes de dar as últimas garfadas, pedi a conta. Nunca engoli três pratos com tanta pressa e agonia, queria sair logo dali.
Dizem que "mulheres não são confiáveis", que "mulher não é amiga de mulher" etc e tal. Não acredito nesses ditados populares, nessas crenças absurdas. Pra mim, gente infeliz é gente infeliz, independentemente do sexo. Mas posso afirmar que meu fim de noite me deixou pensativa e arrepiada, de verdade.
Ao voltar para casa, caminhando calmamente, fiquei pensando que será que não havia nada mais interessante a se falar do que achincalhar a reputação da amiga em questão??? Valha-me Deus!

- Poderíamos repetir esse programinha delicioso todos os domingos, fazer isso uma rotina, não é mesmo?

"Uma rotina", "uma rotina", "uma rotina", palavrinha que definia perfeitamente um dos traços da índole das duas mulheres.
Como precaução, é certo, tratarei de mudar meu horário e dia, quando voltar àquele restaurante.
Curiosamente, numa das paredes do salão principal, havia escrito "seja feliz todos os dias", mas a mulher estava de costas, ou deu as costas, para tal mensagem, para a vida.

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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

CV laico


Numa entrevista de emprego:

- Vejo no seu currículo que é árabe. Annah, você aceitaria trabalhar para um judeu? Quero dizer, você teria problemas em trabalhar para um judeu? Eu sou judia.

- E eu sou cidadã, respondi, independentemente do credo, país e ideal político. Havendo respeito, que tipo de problemas eu teria?

p.s.: fico pensando se devo acrescentar esta observação* no meu currículo: brasileira, solteira, sem filhos e...
(*) árabe, porém tolerante, pacífica, apartidária e apolítica.
:>

Domingo, 23 de Novembro de 2008

Num sábado, por Annah, na Pinacoteca - Parte I

Fundada em 1905, a Pinacoteca do Estado de São Paulo é o museu de arte mais antigo da cidade e um dos mais importantes do País.
Seu acervo tem cerca de oito mil obras com ênfase na arte brasileira dos séculos XIX e XX.
Apresenta 40 exposições por ano sobre as mais variadas expressões das artes visuais de artistas nacionais e internacionais e oferece atividades educativas aos mais diferentes perfis de público.

Obs. 1: Peço desculpas por não citar os respectivos títulos e autores das obras... sei que Rodin e Brecheret perdoarão minha falta, rs.
Obs. 2: Estas fotos foram tiradas com meu celular, ou seja, sem recursos para produzir uma imagem de qualidade (peço desculpas por isso também), mas acho que o danadinho até deu conta do recado.

[fotos: adriana hanna]

















Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

+ (muito mais)


Música. Pássaros. Chocolate. Açaí. Petit Gâteau. Astor Piazzolla. Dançar. Verde. Metrópole. Pessoas. Cautelosa. Cedros do Líbano. Água. Beijo. Perfume. Jazz. Coxas. Brasil. Lua. Vinil. Organizada. Beirute. Raul Cortez. Pôr-do-sol. Chorar de rir. Inconsciente. Percepção. Preguiça. Guaraná. Girassol. Língua portuguesa. Piscianos. Café árabe. Cinema. Rosas. Drummond. Sol e chuva (casamento de viúva). Paulo Autran. Beija-flor. Arguile. Teatro. Frutas. Generosidade. São Paulo. Amigos. Billie Holiday. Suco de melancia. Discreta. Livros. Conforto. John Coltrane. House music. Bom senso. Al Pacino. Sorriso. Bichos. Luz. Cores. Silêncio. Ira. Sorvete. Hilda Hilst. Japanese food. Gentileza. Tímida. Olhar. Beringela. Chorona. Coragem. Orégano. Reflexiva. Noite. Respeito. Carinho. Espontânea. Observar. Boca. Fotografar. Underground. Feijão. Dostoiévski. Caneca. Pistache. Visões. Gibi. Damascos. A Feiticeira. Piano. Cidadã. Granola. Sonhos. Tranquila. Família. Estrelas. Gatos. Buscar. Impaciente. Elegância. Os Flintstones. Consciente. Vinhos. Beterraba. Dispersa. Caminhar. Iogurte. Jaguar. Saladas. Bom-humor. Paz. Renato Russo. Quiabo. Persistente. Cookies. Direta. Bette Davis. Subversão. Açúcar mascavo. Falar árabe. Bike. Peixe. Priorizar. Sax. Introspecção. Ouvir. Ariana. Fotografia. Saúde. Figo-da-Índia. Liberdade. Simples.
(...)

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Baalbeck - Vale do Beqaa

...e o leão resiste ao tempo...
Baalbeck - Vale do Beqaa - Líbano


Templo de Baco - Baalbeck
Vale do Beqaa - Líbano

[fotos: adriana hanna]
.

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Podemos ser mais e melhores

Em meio à correria e ao estresse do dia-a-dia, dos inúmeros afazeres que acumulamos, além da exigência de sermos cada vez mais polivalentes e da obrigação de desempenharmos papéis perfeitos na vida pessoal, social e profissional, não podemos sequer cometer falhas nem deslizes.
Quantas vezes somos motivados a representar e a alcançar expectativas e paradigmas impostos pela sociedade, em que supervalorizamos a opinião e o julgamento dos outros?
Na era dos “super-homens” e das “supermulheres”, em que o estereótipo vale mais do que a essência e a ética, somos condicionados a ter, relegando o ser.
Esquecemo-nos, muitas vezes, que não somos subprodutos de uma moral e padrões preestabelecidos; que podemos, sim, errar e admitir fracassos, e temos o direito de sentir dor, vivenciando-as e experimentando-as; que não precisamos usar disfarces, demonstrando uma imagem que não condiz com nossa realidade interior.
Quando falamos em rotina saudável, não podemos caracterizar apenas as conquistas materiais, intelectuais nem tampouco a inserção do indivíduo num patamar considerado elevado na esfera social e profissional, mas sim a saúde e o equilíbrio emocional, psicológico e físico das pessoas, que sem esses elementos não conseguiriam atingir a qualidade de vida de que tanto necessitam.
Fatores como o estresse, a violência, as cobranças e as pressões que sofremos no cotidiano contribuem para o surgimento de diversas doenças e transtornos psicológicos, além de desencadear num quadro depressivo crônico. Segundo os últimos dados da OMS* (Organização Mundial da Saúde), a depressão, uma das doenças de maior impacto social, atinge cerca de 121 milhões de pessoas e está entre as principais causas de incapacidade no mundo inteiro.
Por isso, a conquista de um padrão saudável de vida é, sobretudo, uma ação elementar a ser praticada por todos nós, que começa quando temos a percepção de nossas reais necessidades e valores pessoais, respeitando nossos limites, desejos e individualidades.
Buscar um ritmo de vida equilibrado e positivo, seja físico, psicológico, emocional, social, educacional etc., é uma tarefa que devemos exercitar diariamente, e isso se reflete fundamentalmente nas relações com nossos familiares, amigos, colegas de trabalho e no meio em que vivemos e interagimos.

(*) Fonte: OMS


Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Terra e versos de Gibran Khalil Gibran

Becharreh (aldeia natal de Khalil Gibran)
Norte do Líbano - Verão de 2000

[foto: adriana hanna]


O Poeta

Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.

Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.

Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.

Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem gritando: "Eis o cego, demos-lhe um cajado que o ajude." Fujo deles. Mas encontro outro grupo de moças que me seguram pelas abas da roupa, dizendo: "É surdo como a pedra. Enchamos seus ouvidos com canções de amor e desejo." Deixo-as correndo. Depois, encontro um grupo de homens que me cercam, dizendo: "É mudo como um túmulo, vamos endireitar-lhe a língua." Fujo deles com medo. E encontro um grupo de anciãos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo: "É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros."

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um estrangeiro e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim.

Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro, freqüentado por cobras e insetos. Se sair à luz, a sombra de meu corpo me segue, e as sombras de minha alma me precedem, levando-me aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando algo que não entendo. E quando chega a noite, volto para a casa e deito-me numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.

Idéias estranhas atormentam minha mente, e inclinações diversas, perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis. À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos. E almas de nações esquecidas me fitam. Interrogo-as, recebendo por toda resposta um sorriso. Quando procuro segura-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um estrangeiro e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma de minha alma...

Caminho na selva inabitada e vejo os rios correrem e subirem do fundo dos vales ao cume das montanhas. E vejo as árvores desnudas se cobrirem de folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e se transformam em cobras pintalgadas.

E as aves do céu voam, pousam, cantam, gorgeiam e depois param, abrem as asas e viram mulheres nuas, de cabelos soltos e pescoços esticados. E olham para mim com paixão e sorriem com sensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos irônicos.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em versos, e em versos o que a vida põe em prosa. Por isto, permanecerei um estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria.

(extraído de "Temporais")

Gibran Khalil Gibran


Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Saldo da Mostra

Ultimamente, ando avessa às desgraças humanas, perversidades e afins. Padecemos e somos bombardeados e nocauteados diariamente por uma quantidade excessiva de informações, numa realidade cruel e desumana, em que a vida vale menos que dois tostões furados.
O dia-a-dia já é uma "película" trágica e problemática, um "tragihorror", agora, sinceramente, não estou podendo ir ao escurinho do cinema e encarar uma, duas horas de "sessão tortura".
É, porque acho que não fui feliz nas minhas últimas escolhas.
O documentário "A Rota do Guerreiro", e os filmes "Sete Dias Domingo" e "Ensaio Sobre a Cegueira" (será que vovô Saramago gostou mesmo dessa chatice, ou só quis fazer um social com o Meirelles
?) são exemplos do que estou me referindo. Nunca saí de uma exibição de fita meia hora antes do término da sessão. Detesto fazer isso mas realmente foi inevitável.
Senti-me como Alex, em "Laranja Mecânica", quando comecei a me contorcer na poltrona e a virar a cara para a ficção, ao ver cenas tão violentas e chocantes. A única diferença, é que não passei pelo tratamento de choque continuado a que Alex foi submetido.
Faltou a Nona Sinfonia de Beethoven ao fundo?

Como se não houvesse uma válvula de escape, um refúgio, andamos em círculo. Isso me deprime e entedia, de certa forma.
E por falar nisso, assisti a "Tedium", de Bahman Motamedian, filme razoável, nada além.
Pensei que veria uma produção sensível, poética, mas foi mais uma descarga de realismo bruto, desconfortante. Esperava mais.
Quanto ao assunto abordado no filme, estou certa de que minhas andanças pela noite desvairada desta paulicéia são mais eletrizantes e mágicas do que qualquer fita de cinema.
Vou pra rua pra me emocionar, ora! O que está acontecendo com a sétima arte?
Puxa, será que quero viver no "mundinho de Pollyana", ou então estou ficando sensível ao extremo? Talvez. Não sei. Só sei que quero ver poesia e beleza, flores pelo caminho. Quero me comover, fantasiar um pouco.
Tenho (temos) esse direito, pô!

A 32ª Mostra internacional de Cinema vai até dia 30. Quem sabe, até lá, garimpo um filmaço para chamar de meu...

Saldo bacana: minha baby look é muito "da bonitinha", rs.

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Convite

O convite foi feito a mim, mas vou estendê-lo a vocês, transcrevendo na íntegra o email querido da Carolina de Salvo, que é da área de Relações Institucionais do Instituto Baccarelli.

"Adriana, bom dia!!!
Ficamos muito felizes por receber sua mensagem, que aliás, transmitimos à regente e aos alunos.
Propagar a capacidade transformadora de trabalhos como o Coral da Gente, é um grande feito, muito obrigada por compartilhar conosco deste ideal!
Caso tenha disponibilidade, fica aqui o convite para que venha aos ensaios dos grupos. Às segundas e quartas, a partir das 14h, acontecem os ensaios da regente Regina Kinjo. Nos mesmos dias, pela manhã, a partir das 8:30h, acontecem os ensaios da regente Silmara Drezza. Às quartas de manhã, inclusive, é possível acompanhar não só o ensaio de canto-coral, mas também da Sinfônica Heliópolis.
Nós estamos na Estrada das Lágrimas, 475, bem próximo ao Metrô Alto do Ipiranga (Linha Verde) e ao Terminal Sacomã - ponto final do Expresso Tiradentes.
Muito obrigada pelo carinho!"

Mimo querido!


Manter um blog com textos, imagens etc. próprios, e que seja realmente informativo e interessante, é "coisa de profissa", eu ainda sou amadora, comecei há poucos meses na blogosfera.
No entanto, para minha surpresa e felicidade, sou acarinhada com mimos de queridos leitores.

Obrigadíssima, Adriana (do M.E.D.T), pelo selo "Dardos" de blog interessante (mas, preciso comer muito arroz com feijão para chegar a tanto, rs!).
Enfim...
Fiquei muito feliz, ok, Drica! ;o)

Domingo, 12 de Outubro de 2008

Coral da Gente - Instituto Baccarelli



Hoje é Dia de Nossa Senhora Aparecida e das crianças.
Pois muito bem, para comemorar todas estas datas especialíssimas, nada melhor do que compartilhar com vocês um tiquinho da emoção que senti, hoje, no Centro Cultural São Paulo, ao ver as crianças lindas, fofas e talentosíssimas da comunidade de *Heliópolis, em São Paulo.
As fofuras a que me refiro participam do "Coral da Gente", que é composto por 55 integrantes e faz parte do projeto idealizado pelo Instituto Baccarelli, onde há o incentivo e a introdução de crianças carentes no universo musical.
Este espetáculo teve a regência de Regina Kinjo e, no piano, Claudia Cruz.

Vontade que deu de beijar e abraçar cada uma dessas crianças, pelo profissionalismo, empenho e brilho no olhar.
Eu, como sou uma chorona incorrigível, deixei meu lencinho ao lado para enxugar as lágrimas que derramei do início ao fim desta magnífica e emocionante apresentação.

(*) A comunidade de Heliópolis é a maior favela de São Paulo e a segunda do Brasil e da América Latina. Possui cerca de 120 mil habitantes (dados IBGE), sendo 52% da população composta por crianças e jovens de 0 a 25 anos.
(fonte: site instituto baccarelli)


Palmas, cantoria e alegria contagiante


Emoção e energia


Profissionalismo e talento


Pausa para a foto

[fotos: adriana hanna]


Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Camille


Piero teria de se casar brevemente com a moça da aldeia: Marmar, a namoradinha dos tempos de menino. Brincaram juntos, trocaram juras inocentes de amor até. A brincadeira e as juras transformaram-se em compromisso, talvez conveniência entre as famílias, costume enraigado de correrem pelas colinas de mãos dadas - carinho e cumplicidade que resistiram ao tempo.
Mas ele saiu da aldeia, desceu a montanha, foi buscar novas oportunidades na cidade grande, para proporcionar uma vida mais confortável e promissora ao casal.
Piero era ingênuo, alma pueril, por isso mesmo estava apto a experimentar novas histórias, absorver o que aquele misterioso espaço de concreto e aço tinha a lhe oferecer.
E os olhos dele brilharam, ávido pelo que estava por vir.

Piero sempre gostou de caminhar, fazia isso todas as manhãs, na aldeia, acompanhado de Quick, seu cão de estimação.
Ali, não seria diferente. E pela cidade andou, andou, andou muito, a fim de conhecer cada beco, rua e construção, tendo o Mar Mediterrâneo como cenário principal.
E foi numa tarde de verão que ele cruzou o caminho de Camille. A partir desse encontro, o destino de Piero mudou drasticamente.
Trocaram olhares, sorrisos encabulados. Camille caminhava lentamente, vestia uma saia florida, justa - que acentuava ainda mais seus contornos impecáveis -, ancas estreitas, pernas longas, nádegas bem desenhadas. A nuca estava à mostra, alguns fios dos cabelos negros desciam pelo pescoço longilíneo, adornado com um fio dourado grafado "Camille" com dois "l" no pingente.
A pele era alva, seios fartos, a boca de um rosado profundo, olhos acinzentados e expressivos, cílios negros e abundantes, uma pintura natural coloria as pálpebras e as unhas bem feitas.
Uma brisa suave a movimentar o lenço de seda e a espalhar o perfume inebriante de Camille pelo ar.
Oh! Quanta beleza e delicadeza, pensou Piero.

Ele decidiu, naquele momento, que precisava reencontrar Camille, tocar seus lábios levemente com os dedos. Cerrou, então, os olhos e pôs-se a imaginar: como será a textura da pele? E a temperatura do corpo junto ao meu?
Piero jamais havia sentido tais reações e emoções com Marmar. Ele a amava, estava certo disso, mas nunca sentiu tamanha atração e desejo por ela.

As mãos de Piero tremiam, o coração passou a bater em descompasso. Olhou para trás, com a intenção de vê-la mais uma vez, mas Camille havia desaparecido entre o frenético vai e vem de pessoas.
Sonhou, sonhou muitas noites com Camille, idealizando o encontro perfeito.
Dia após dia, Piero refez o mesmo caminho, na esperança de cruzar com ela. Não importava se chovia ou fazia sol, lá estava ele, exaustivamente, a rastrear os passos de sua bela Camille.
Aquilo começou a afetar a vida de Piero e a preocupar Marmar, pois fazia muito tempo que não voltava à aldeia para vê-la.
Pois foi na primeira semana do inverno que chegava que Piero teve a feliz surpresa: avistou Camille entrando num beco sujo no centro da cidade; ele correu desesperadamente para alcançá-la, mas ela, ofegante, apressou-se a entrar num desses hotéizinhos baratos da área.
Piero ficou confuso, excitado, não sabia se entrava para, finalmente, apresentar-se a Camille ou a aguardava em frente ao hotel.
Depois de muito esperar, Piero viu Camille sair: cabelo desgrenhado, roupa rasgada, mãos sujas, olhos aflitos, sangue escorrendo pelo canto da boca.
Piero aproximou-se, tocando delicadamente seu ombro: - Camille, é este seu nome, não é? Estou aqui a esperar-te faz horas, podemos conversar?
- Quem é você? Como sabe meu nome?, retrucou asperamente.
Piero explicou toda a história, desde a primeira vez que a viu na rua da orla.
- Por quê está machucada? Quem fez isso? Venha, venha comigo, Camille! Posso protegê-la, cuidar de ti.
A voz de Piero a acalmava, e era disso que mais precisava naquele momento.
Camille deixou-se levar. Sentia uma estranha familiaridade na voz de Piero, tentou decifrar, em silêncio, por que confiava no tal desconhecido.
Ela era avessa à loquacidade. Sempre foi discreta, reservada, expressava-se pelos gestos e o olhar - aliás, elementos indispensáveis para conquistar sua devota e maciça freguesia.
Devido a seus incríveis dotes e habilidades, era uma meretriz disputada por seus clientes.
Desde pequena fazia sucesso com a molecada, que esperavam-na passar nas ruas de Moscou para espiar seus graciosos movimentos dentro das saias justas que costumava usar.
- Corram, corram, Camille vem aí, bradava a meninada!

(...)


obs.: sem pretensões literárias, talvez termine, um dia, esta história, que de alguma forma foi real.

Domingo, 5 de Outubro de 2008

Meus livros, meus discos, meu cantinho, meu refúgio... e nada mais!









Sábado, 4 de Outubro de 2008

A Camponesa

Embora desconfiada, a menina deixou-se fotografar naturalmente, segura da beleza.
E a fotógrafa a tranqüilizou com gestos e palavras amigas...
Zgharta - norte do Líbano
[foto: adriana hanna]

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Chaleira tem som?

Pedra, então, tem som? Nas mãos dele tem. O Bruxo cria, inspira-se, tira som do inverossímil, da impossibilidade concreta; transforma o palpável em fluido, objetividade em metáfora absurda, utopia em realidade...
A alquimia, a música, o acorde, o suor, a composição, a mágica, a lágrima, o mago, o sopro, o albino, o louco, a emoção à flor da pele, o gênio, o ímpar, o arrepio, o gozo: Hermeto Pascoal.

A sua bênção, Mestre!


Sábado, 27 de Setembro de 2008

*Escape for Men - Calvin Klein

Uma e trinta da matina, toca o telefone. Salto da cama feito um gafanhoto, coração disparado.
Pronto. Só me faltava essa. Aconteceu alguma coisa!
Do outro lado da linha, voz baixinha, meio familiar. Grudo o aparelho no ouvido, para escutar melhor.

- Annah, Annah, está acordada?

Que perguntinha mais débil, né não? Ora, claro que estou acordada, pensei. Ou achas que meu espectro resolveu dar o ar da graça? Humpft.
Inclusive, estou ACORDADA e semi-infartada, se é que isso existe e lhe interessa, seu, seu...! Pâncreas veio parar na boca, puxa vida. Isso não se faz. Espero que esse "alguém" tenha um boníssimo motivo para tirar-me de um soninho de ursa tão gostosinho e meigo, balbuciei.

- Hã, o que disse? Tá me ouvindo, Annah?
- Tô! Tô, sim! Mas quem fala, por favor!
- Eu.
- Eu??? Mas, eu, quem???

Minha paciência estava chegando ao limite. Comecei a sentir a reação típica dos "irados com justa causa": cabeça latejando de ódio, mãos geladas, olhos e rosto ardendo, temperatura do corpo elevada.
Valha-me Deus, vou soltar meus dinossauros raivosos neste infeliz.
Calma, calma! Respire fundo, Annah. Concentre-se. Seja civilizada e exercite sua diplomacia em situações limítrofes.
(tremendo desafio para uma ariana tripla, devo afirmar. Mas vamos lá...)

- Eu, Annah, não está reconhecendo minha voz?
- Veja bem, meu querido, são uma e trinta da madrugada, eu estava dormindo, fica realmente difícil saber com quem estou falando nestas condições, concorda?
- Caramba, Annah, pelo jeito não signifiquei nada para você, não é? Você está namorando? Li um depoimento no seu perfil, há um tempo atrás.

Pronto! Foi o estopim. Comecei a bufar. A pretensa diplomacia tranformou-se em pequeninos dragões cor-de-fogo cutucando meus miolos fumegantes.

- Escuta aqui, seu...
- É o X, Annah, é o X.

Como assim, X??? Eu e minhas idéias de dar o número do telefone de casa pra gente abilolada da cachola.
Pô, mas o cara parecia normalzinho, quando o conheci. Trocamos telefones, saímos algumas vezes. Simpático, bom papo, cheirosíssimo...
Isso, isso! O cheiro. Lembrei-me do perfume dele. Foi o que realmente me marcou.
É incrível como os perfumes têm poder sobre mim. As cenas, situações, lugares e pessoas ficam registrados em minha memória afetiva.
E acho que foi o que milagrosamente salvou nossa conversa ao telefone. À medida que me lembrava, comecei a construir imaginariamente o rosto de X na parede da sala, para me acalmar. A gargalhada dele veio à minha mente, ecoou pela casa, invadiu o silêncio daquela noite fria.
Pois bem, ira controlada. Resolvi dar mais uma chance à "fragrância de grapefruit, genebra, bergamota e eucalipto, com notas de jasmim, almíscar e âmbar". Ah, minha Nossa, e como essa *fórmula química combinava com o pH de X...!

- Ah, sim, lembrei-me de você? Aconteceu alguma coisa para me ligar a essa hora?
- Olhe, para ser sincero, estou um pouco triste, sim. O dia não foi bom... muitas decepções.
- Sei, sei. Mas...
- Sabe o quê é? Sempre que me sinto assim, lembro-me de suas palavras. É automático, sabe?
- Palavras? Que palavras?
- Sei que estou sendo inconveniente, mas não consegui me controlar, queria ouvir sua voz, relembrar aquelas palavras de incentivo.

Conversamos até o dia clarear. Ou até que sentisse que um sorriso juvenil havia voltado para aquele rosto, pelo que me recordo, lindo.
Porém, antes de desligar, X quis ainda me confessar um último segredo: - Annah, durante nosso papo, senti seu perfume no ar. Muito louco o que vou dizer, você pode não acreditar. Mas esteja certa de que seu perfume jamais sairá de minha memória afetiva...


(*) "Escape for Men é viver a intensidade da vida a cada instante".

;D


Domingo, 21 de Setembro de 2008

Momentos inesquecíveis

Dançar...
Alcançar o êxtase, levitar, sem tirar os pés do chão.
Deus soube criar a expressão máxima da felicidade.



Annah em transe... na noite em que o DJ Pete Heller regeu o espetáculo com maestria.
(foto: site club d.edge; modificação: annah)

Amei ter achado este vídeo.
O top DJ e produtor Pete Heller fala sobre o hit 'Big Love', a carreira e afins no club d.edge/SP, onde se apresentou brilhantemente em junho de 2007.

Sábado, 20 de Setembro de 2008

Hoje estou meio Maiakovski...

Vladimir Maiakovski
(foto: Wikipedia)


(além de ser belo e enigmático, é um dos poetas que mais me emociona.
Acho gato e faria. Ah, se faria!
Ai, ai, ai, se eu tivesse vivido nos anos 20... >;>

hahahaha)

A extraordinária aventura vivida por Vladimir Maiakovski no verão na datcha

A tarde ardia com cem sóis.
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava.
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casa dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto começou a irritar-me
terrivelmente.
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
"Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!"
E grito ao sol:
"Parasita!
Você, aí, a flanar pelos ares,
e eu, aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!"
E grito ao sol:
"Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?"
Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas,
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com voz de baixo:
"Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!"
Lágrimas na ponta dos olhos
- o calor me fazia desvairar -
eu lhe mostro
o samovar:
"Pois bem,
sente-se, astro!"
Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta,
etc.
E o sol:
"Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!"
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro,
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
"Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos."
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar pra sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é pra brilhar,
que tudo mais vá pro inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

Vladimir Maiakovski - 1920
(tradução: Augusto de Campos)


1. Datcha - casa de veraneio.
2. Rosta - A Agência Telegráfica Russa, para a qual Maiakovski executou cartazes satíricos de notícias - as "janelas" Rosta -, de 1919 a 1922.

Domingo, 14 de Setembro de 2008

Destino incerto e um arguile novo

Comprei um arguile. Faz tempo que quero ter um em casa, pois deixei o meu no Líbano.
Não sou de fumar - aliás, tenho aversão a cigarros -, mas, quando se trata de arguile, não consigo resistir e confesso que dou umas baforadas.
No entanto, pensei em enfeitar a casa, ao comprá-lo, porque é realmente um belo objeto de decoração.
A primeira vez que experimentei, foi no Líbano, numa festa, com amigos. Desde então me apaixonei. Mas acho que me apaixonei, acima de tudo, pelo ritual em torno do preparo do arguile: a limpeza do recipiente de cerâmica que leva o fumo, a escolha do tabaco mais perfumado, a queima do carvão especial, a união dos amigos e o clima de descontração que fazem do arguile o rei da festa. E é uma festa, sempre.
Lembro-me da aldeia onde morávamos, na casa de pedras do vovô Georges.
A varanda é impressionantemente bela: a vista das montanhas do norte do Líbano; as roseiras multicoloridas de mamãe; as romãs e o pé de limão que renasceram com a nossa presença e cuidados; e as uvas rosadas - ah as divinas uvas! - que despencavam aos montes da casinha feita especialmente para elas.
Era ali que nos reuníamos. Arguile no centro, muitas pessoas em volta, e a água fervendo no aquecedor de carvão para prepararmos um café árabe no capricho.
O aroma do tabaco de maçã-verde nos inebriava... risos, muitos risos, nossos corações pulsavam.
Todos gritavam: - Annah, cadê o café? Yalla! Vamos! Seu café é o melhor da aldeia. Yalla!
Não sei se o que diziam era verdade, mas meu coração se enchia de felicidade...
Saudade! Muita saudade!
Para completar, a cigana vinha ler a borra do café:
- Seu destino é longe daqui - dizia a mulher.
Ela estava certa. Só não conseguiu decifrar naquela xícara misteriosa que minha alma continuaria lá, na casinha de pedras do vovô Georges...

Ah, e o tabaco de maçã-verde é o melhor. Podem apostar. ;)

Aarges - Líbano - 2007
(foto: Sarkis Moubarak)


Inverno brabo na aldeia - Aarges - Líbano - 2007
(foto: Sarkis Moubarak)


p.s.: São as únicas fotos que tenho da aldeia mencionada no texto, que foram gentilmente enviadas pelo amigo Sarkis. Preciso digitalizar as minhas, mas acho que essas mostram um pouco a beleza do lugar.

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Perca um Livro! Vamos?


Apesar de adorar minha minibiblioteca, dizem que não é bacana guardar livros em casa. Devemos distribuí-los, doá-los.
Livro tem de circular, passar de mão em mão. Tem muita gente que precisa ler, e essa é uma forma de "dar asas" à Literatura e, conseqüentemente, ampliar os horizontes do leitor.
Mais produtivo um livro na mão de um adolescente do que empoeirado numa estante qualquer.
Pois bem, a campanha "Perca um Livro", criada pela Editora Zeiz, incentiva justamente essa filosofia e, claro, o hábito à leitura entre as pessoas.
Funciona assim: encontramos um livro perdidinho por aí, levamos para casa, lemos (de preferência, rs!) e voltamos a perdê-lo num outro lugar, para que outra pessoa o ache, e assim sucessivamente.
Você poderá cadastrar-se, também, para "perder" um livro seu. É só ler as instruções e seguir os passos descritos no "Perca um Livro".
De uma forma muito particular, esses livros "caminham com suas próprias pernas", pelas mãos de centenas, milhares de leitores, formando um elo infinito.
Então, não se espante se achar um livro solitário, abandonado em algum canto de sua cidade. Vamos! Não tenha medo. Leve-o para casa. Embarque nessa viagem e depois deixe-o partir... pois muitos viajantes o aguardam.
Ah, e tem outro detalhe interessante, esses livros possuem um código na parte interna. Com esse código, você poderá rastrear o livro que "perdeu". Ou seja, se hoje ele está em Curitiba, por exemplo; amanhã, poderá estar em Salvador.
Bacana, né?
Essas e outras informações você encontra no site do "Perca um Livro".

Desejo a você uma boa leitura e que seu livro viaje muito!

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Quatro mulheres casadas + desabafos + segredos compartilhados e uma solteira convicta

Dia desses fui pagar umas contas numa lotérica perto de casa. Como sempre acabo batendo um papinho aonde quer que eu vá - ou pelo menos dou um "olá, querida"! -, dessa vez não foi diferente.
Mesmo que o tempo seja curto e os relacionamentos apressados e passageiros, sempre há uma chance de se extrair uma boa história e reflexão para acrescentarmos na bagagem. Histórias que são comuns e fazem parte do universo de muitas pessoas.
Bem, ao pagar a conta, uma das atendentes fez o seguinte comentário, depois de analisar minuciosamente minha carteira:

- Você não é casada, não é mesmo?
- Não, não sou. Por quê? Como sabe?
- Ah, logo vi! Pelo tipo de carteira.
- Que tipo?, retruquei, curiosa.
- Esse tipo menininha. Sua carteira é de bonequinha.
- Ah, sim, a Pucca.
- É, isso mesmo. Deixei de usar esse tipo de coisa há muito tempo. Quando era solteira eu gostava. Mas agora...
- Ah, quer dizer que mulheres casadas não usam carteiras de menininha?
- Não! A gente vai perdendo essas coisas, sabe?! A vida de casada faz com que deixemos muitas coisas para trás.

Minha Pucca sempre fez sucesso, mas dessa vez fiquei intrigada com a lógica da moça, e é óbvio que não pude deixar tal observação passar em branco.
Encarei as outras atendentes e indaguei: - Vocês também deixaram "muitas coisas" para trás, depois do casamento?
Em coro, responderam: - Siiiiiiim!
Em tom de brincadeira, afirmei: - É por isso que, graças a meu bom Deus, não sou casada.
As atendentes soltaram uma gargalhada em uníssono.
Uma delas confessou: - Se pudesse não estaria casada. Eu me arrependi.
Como num espasmo libertador, as outras, visivelmente animadinhas com a prosa, concordaram e ratificaram:
- Eu não estaria!
- E eu também! Ah se arrependimento matasse...

Fiquei perplexa com o desabafo daquelas mulheres.
- Mas, por quê? Por que então continuam casadas, já que estão infelizes e arrependidas?
Senti que minhas palavras foram como uma punhalada no estômago (e, pelo visto, na consciência!) de cada uma delas. Subitamente, as expressões transformaram-se. O riso deu lugar a vincos profundos na testa.
Uma delas respondeu, justificando-se: - Só não me separei, ainda, porque não tenho como me manter sozinha.
Insisti, inconformada: - Ué, mas você trabalha!
- Sim, mas não poderia manter o padrão de vida a que estou acostumada se contasse só com o meu salário.
Claro que fiquei ainda mais indignada com tal confissão. E o que mais me surpreendeu foi a concordância das outras três moças - todas com a mesma filosofia conformista na ponta da língua.
Não me contive, e retruquei: - Gente, não consigo imaginar um casamento onde a relação é calcada nas despesas mensais, ou nos dígitos da conta bancária, que, pelo jeito, deve ser a única coisa que une vocês a seus maridos e traduz palavras como "conjunta" e "casal".
Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente.
Senti-me embaraçada, no fim das contas, com a minha cruel sinceridade.
Saí de lá desejando sorte e bons frutos a cada uma delas, para amenizar as palavras ditas.
Porém, antes de guardar a minha carteira na bolsa e a experiência na alma, olhei para a Pucca, a Pucca olhou para mim, e dei um beijinho de agradecimento no rostinho da minha boneca.
Bendita seja! Quero carregá-la para sempre dentro de mim; quero manter meus gostos, vontades e inocência de menina.
Não acho, não mesmo, que a mulher casada perde a sua essência, particularidade e viço de solteira. No entanto, estou certa de que mulheres infelizes, presas a casamentos convenientes e falidos emocionalmente, não perdem apenas o frescor da juventude, mas perdem, sobretudo, a identidade e a dignidade.

Sábado, 6 de Setembro de 2008

Pedro e Teresa caminham, ouça os passos...

Jardim do Museu Imperial, por Adriana Hanna
Petrópolis - Rio de Janeiro

Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

III Mostra Mundo Árabe de Cinema

Começa, na próxima semana, 8, a III Mostra Mundo Árabe de Cinema.
Os filmes serão exibidos nas salas do CCSP (Centro Cultural São Paulo) e CineSesc entre os dias 08 e 14 de setembro.

Confiram a programação no site do Icarabe (Instituto da Cultura Árabe).


(Caramel /Sukkar banat – 96 min, cores, Líbano, 2007; direção: Nadine Labaki)


obs.: Liêeeeeee, essa é pra você, prepare a pipoca! Deus ouviu minhas preces... Caramel está na Mostra.
Ê sorte e coincidência. ;D


Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Blog Bacana: The Sartorialist

Adoro moda. Mas, claro, sem ser vítima e escrava do mundinho fashion-consumista.
Vestir-se bem, para mim, é um exercício saudável de autoconhecimento e aceitação. É saber olhar-se no espelho corajosamente, sem filtros nem preconceitos, e ter noção e consciência do próprio corpo.
Sei que é um clichezão o que vou dizer, mas, pô!, a grande sacada é sermos felizes do jeito que re-al-men-te somos, sem neuras nem ideais inatingíveis. Porque, vamos combinar, Twiggy é uma só!
Roupa não precisa ser cara; precisa ser adequada e honesta.
Chic é ter estilo: seu estilo! Somos nós que devemos criar e patentear "O Conceito". O nosso conceito. O nosso jeito... particular, ímpar, e, naturalmente, cheio de charme, beleza e requinte.
Afinal, não somos feitos de massa homogênea, nem somos fabricados em série, né, meeeeu bem?!
Não há nada mais horripilante e cafona do que ver gente querendo ser "in" quando, na real, não tem personalidade para carregar um modelito.
É só dar uma circulada nas ruas "elegantes" de São Paulo, para vermos milhares desses exemplares patéticos, "fazendo carão" e "dando pinta" disso ou daquilo. É de sentar e chorar. Uó total!

Bem, e por falar em moda "da boa"...
O blog The Sartorialist me encanta justamente por isso, pois valoriza e mostra pessoas comuns, clicadas nas ruas, bares, restaurantes etc., sem o make-up, produções mil e afins que vemos nos editoriais de moda.
Gente de carne e osso, sabe cumé?!
Gente linda, estilosa, única, diferente...
Afinal, somos todos diferentes! Somos todos lindos!


Separadas na infância

Certamente, Maurício de Sousa se inspirou em mim ao criar a Samira, rsssssssss.
Só que meus quibes, modéstia à parte, são bem bonzinhos, eheheheh.
Vejam se não tenho razão:

Foto 1: Esta é a Samira, minha irmãzinha gêmea
(espantando a Turminha da Mônica com seus quibes horrendos! ;D)

Foto 2: Esta sou eu, aos 6 aninhos,
com cara de pouquíssimos amigos! rs

A Samira não é a minha cara??? hahahahahaha


Domingo, 31 de Agosto de 2008

Blog Day 2008

Blog Day 2008

Feliz Blog Day 2008 a todos os blogueiros do mundo!!!

Neste ano, não indiquei nenhum blog - para falar a verdade, nem sabia da existência do Blog Day -, mas, para minha surpresa e felicidade, fui indicada pelo Rodrigo, no blog IV - Informação Virtual.
O IV é muito interessante porque aborda diversos assuntos, como tecnologia, informática, ciência, comportamento etc., e de uma forma detalhada, inteligente e didática.
Para quem curte e se identifica com o perfil do IV, vale a pena conferir e guardar na bagagem muita informação de qualidade.

Sábado, 30 de Agosto de 2008

Cinema iraniano

(foto: labiennale)

Estou ansiosa e torcendo para que "Tedium" (Khastegi) estreie no Brasil. Filme que narra o universo de sete transexuais que vivem no Irã.
O diretor Bahman Motamedian, que tem um histórico como diretor de teatro, marca sua estréia no cinema, com "Tedium".
Devido ao regime culturalmente fechado e ultraconservador do Irã, Motamedian não conseguiu incentivo financeiro do governo para a produção do filme. Conseqüentemente, "Tedium" não será exibido nas salas de cinema do país. No entanto, o filme está entre os participantes do Festival de Veneza, mas sem concorrer a prêmio.
O filme aborda os conflitos psicológicos, as crises de identidade e a dura realidade que os transexuais enfrentam no Irã.
Apesar de os obstáculos sofridos pelos transexuais serem comuns em qualquer parte do mundo, estou curiosa para conferir qual foi a ótica do diretor sobre um tema tão polêmico e conflituoso, já que, como é sabido, o cinema iraniano tem um estilo poético para compor a narrativa e expor de uma forma realista a construção dos personagens. Para dar esse tom de realismo, os diretores iranianos procuram trabalhar com atores inexperientes, que nunca encararam as câmeras. Com Bahman Motamedian não foi diferente.

Fica a dica e a torcida para que "Khastegi" seja exibido no circuito de cinema brasileiro.

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Palavras-cruzadas na web

Coquetel lança palavras-cruzadas sobre blogosfera.
Achei a idéia muito bacana. Mas, valha-me Deus, não dei uma (nem umazinha) dentro. Minha cultura blogosférica anda malzinha das pernas, rs.

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

O poder de um símbolo

"Al Araz", por Adriana Hanna.
"Os Cedros"
Becharreh - Norte do Líbano

Domingo, 24 de Agosto de 2008

Brincar de ver

Embora haja amor dentro de mim, as construções são vulneráveis às previsibilidades. Sofrimento adiado, alicerces frágeis, mal estruturados.
A fúria vem como um estalo, espasmo de prazer. Cega-me. Aleija as certezas.
Animal ensandecido em busca de alimento. Tempestade de areia vermelha. Olhos cerrados enxergam o ininteligível. Poupa-me o aborrecimento, silêncio.
Demônios que vêm perturbar lentamente: sopro quente e infalível.
Disputas intermináveis: glórias e verdades rasas. Nada é efêmero aos olhos dos condenados.
Contraio as agruras, transformo-as em fel: antídoto e esperança de crianças grandes e tolas. Inocência traída.
Olho ao redor e vejo o nada em forma bruta. Clausura mesmo na companhia das gentes, atordoada. Repulsão é um caminho correto e suave de se abster. Consciência leva ao caos, dores patéticas, embrutecidas: poesia.
Gotas quentes e salgadas rolam e brilham contra a luz que vem de fora. É o que nos é permitido absorver na confusão dos dias. Devo sorvê-las de bom grado, em doses diminutas.
Os sentidos se esvaem. E vi Van Gogh no meu sonho: o demônio daquela noite. Van Gogh me faz chorar.
Acordo com cheiro de tinta impregnado no ar.
No escuro, um grito de desespero que não sai, corre pelo corpo. Telas, cores, perturbações, representações do inconsciente. Esquizofrenia solitária.
Escoro-me para ter a certeza de que meus pés podem tocar o chão; a cabeça está dormente, não sinto minhas mãos. Tento reconstituir o sonho. Mas a sede chama. A água dissolve as imagens, o colorido e o movimento nervoso dos pincéis.
Desejei juntar-me aos corvos novamente. Eles diziam muito naquela madrugada. Chamavam-me com gritos histéricos, ensurdecedores. Sinfonia mal acabada. Adormeci no campo de trigo... violento.

(...)

Cenário recorrente

Campo de Trigo com Corvos, Vincent van Gogh, 1890
(fonte: wikipedia)

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Centenário de Henri Cartier-Bresson

autor: Les Hotels Paris Rive Gauche - AlainB
(fonte: wikipedia/henri cartier-bresson)

Vou comemorar o centenário de Henri Cartier-Bresson - que completaria hoje se estivesse vivo - com uma fotografia de sua primeira câmera fotográfica. Uma Leica: objeto de desejo de dez entre dez fotógrafos. rs
As técnicas revolucionárias e a genialidade de mestres como Bresson e Robert Capa me fazem refletir sobre o presente e o futuro do fotojornalismo, onde o imediatismo, a supervalorização da imagem e o Photoshop substituem a emoção do clique naquele instante que não volta, o olhar apurado e a sensiblidade do fotógrafo.
Posso ter uma filosofia conservadora, mas ainda assim não consigo render-me às tecnologias digitais quando o assunto é fotografia. Pra mim, nada substitui a magia, beleza e arte que a película proporciona.
Lembro-me do prazer que sentia ao ampliar e combinar os reagentes para transformar, nas bandejas, o papel brilhante em desenhos de luz.

Afinal...

...Bresson vive...!

Domingo, 17 de Agosto de 2008

Momento tietagem explícita

Difícil escrever sobre as divas da House Music, pois cada uma delas faz parte da minha história, da minha vida. Recordações incríveis dos clubs, porões e da noite de São Paulo, e Barbara Tucker também faz parte de tudo isso.
Pois bem, enviei uma mensagenzinha para Barbara - coisas de fã -, apesar de não gostar muito dessas tietagens. Eu morro de vergonha, na verdade. Mas dessa vez não pude resistir nem perder a chance.
E ela, com todo o carinho e atenção, respondeu:

"thank you so much Adriana.
i hope your career moves as you see it moving to the top!
be blessed,
barbara"

Barbara, como o próprio nome traduz, é, pra mim, ainda mais bárbara e querida.
Voice of the soul, of the heaven.
Amazing!