Uma e trinta da matina, toca o telefone. Salto da cama feito um gafanhoto, coração disparado.
Pronto. Só me faltava essa. Aconteceu alguma coisa!
Do outro lado da linha, voz baixinha, meio familiar. Grudo o aparelho no ouvido, para escutar melhor.
- Annah, Annah, está acordada?
Que perguntinha mais débil, né não? Ora, claro que estou acordada, pensei. Ou achas que meu espectro resolveu dar o ar da graça? Humpft.
Inclusive, estou ACORDADA e semi-infartada, se é que isso existe e lhe interessa, seu, seu...! Pâncreas veio parar na boca, puxa vida. Isso não se faz. Espero que esse "alguém" tenha um boníssimo motivo para tirar-me de um soninho de ursa tão gostosinho e meigo, balbuciei.
- Hã, o que disse? Tá me ouvindo, Annah?
- Tô! Tô, sim! Mas quem fala, por favor!
- Eu.
- Eu??? Mas, eu, quem???
Minha paciência estava chegando ao limite. Comecei a sentir a reação típica dos "irados com justa causa": cabeça latejando de ódio, mãos geladas, olhos e rosto ardendo, temperatura do corpo elevada.
Valha-me Deus, vou soltar meus dinossauros raivosos neste infeliz.
Calma, calma! Respire fundo, Annah. Concentre-se. Seja civilizada e exercite sua diplomacia em situações limítrofes.
(tremendo desafio para uma ariana tripla, devo afirmar. Mas vamos lá...)
- Eu, Annah, não está reconhecendo minha voz?
- Veja bem, meu querido, são uma e trinta da madrugada, eu estava dormindo, fica realmente difícil saber com quem estou falando nestas condições, concorda?
- Caramba, Annah, pelo jeito não signifiquei nada para você, não é? Você está namorando? Li um depoimento no seu perfil, há um tempo atrás.
Pronto! Foi o estopim. Comecei a bufar. A pretensa diplomacia tranformou-se em pequeninos dragões cor-de-fogo cutucando meus miolos fumegantes.
- Escuta aqui, seu...
- É o X, Annah, é o X.
Como assim, X??? Eu e minhas idéias de dar o número do telefone de casa pra gente abilolada da cachola.
Pô, mas o cara parecia normalzinho, quando o conheci. Trocamos telefones, saímos algumas vezes. Simpático, bom papo, cheirosíssimo...
Isso, isso! O cheiro. Lembrei-me do perfume dele. Foi o que realmente me marcou.
É incrível como os perfumes têm poder sobre mim. As cenas, situações, lugares e pessoas ficam registrados em minha memória afetiva.
E acho que foi o que milagrosamente salvou nossa conversa ao telefone. À medida que me lembrava, comecei a construir imaginariamente o rosto de X na parede da sala, para me acalmar. A gargalhada dele veio à minha mente, ecoou pela casa, invadiu o silêncio daquela noite fria.
Pois bem, ira controlada. Resolvi dar mais uma chance à "fragrância de grapefruit, genebra, bergamota e eucalipto, com notas de jasmim, almíscar e âmbar". Ah, minha Nossa, e como essa *fórmula química combinava com o pH de X...!
- Ah, sim, lembrei-me de você? Aconteceu alguma coisa para me ligar a essa hora?
- Olhe, para ser sincero, estou um pouco triste, sim. O dia não foi bom... muitas decepções.
- Sei, sei. Mas...
- Sabe o quê é? Sempre que me sinto assim, lembro-me de suas palavras. É automático, sabe?
- Palavras? Que palavras?
- Sei que estou sendo inconveniente, mas não consegui me controlar, queria ouvir sua voz, relembrar aquelas palavras de incentivo.
Conversamos até o dia clarear. Ou até que sentisse que um sorriso juvenil havia voltado para aquele rosto, pelo que me recordo, lindo.
Porém, antes de desligar, X quis ainda me confessar um último segredo: - Annah, durante nosso papo, senti seu perfume no ar. Muito louco o que vou dizer, você pode não acreditar. Mas esteja certa de que seu perfume jamais sairá de minha memória afetiva...
(*) "Escape for Men é viver a intensidade da vida a cada instante".
;D
Pronto. Só me faltava essa. Aconteceu alguma coisa!
Do outro lado da linha, voz baixinha, meio familiar. Grudo o aparelho no ouvido, para escutar melhor.
- Annah, Annah, está acordada?
Que perguntinha mais débil, né não? Ora, claro que estou acordada, pensei. Ou achas que meu espectro resolveu dar o ar da graça? Humpft.
Inclusive, estou ACORDADA e semi-infartada, se é que isso existe e lhe interessa, seu, seu...! Pâncreas veio parar na boca, puxa vida. Isso não se faz. Espero que esse "alguém" tenha um boníssimo motivo para tirar-me de um soninho de ursa tão gostosinho e meigo, balbuciei.
- Hã, o que disse? Tá me ouvindo, Annah?
- Tô! Tô, sim! Mas quem fala, por favor!
- Eu.
- Eu??? Mas, eu, quem???
Minha paciência estava chegando ao limite. Comecei a sentir a reação típica dos "irados com justa causa": cabeça latejando de ódio, mãos geladas, olhos e rosto ardendo, temperatura do corpo elevada.
Valha-me Deus, vou soltar meus dinossauros raivosos neste infeliz.
Calma, calma! Respire fundo, Annah. Concentre-se. Seja civilizada e exercite sua diplomacia em situações limítrofes.
(tremendo desafio para uma ariana tripla, devo afirmar. Mas vamos lá...)
- Eu, Annah, não está reconhecendo minha voz?
- Veja bem, meu querido, são uma e trinta da madrugada, eu estava dormindo, fica realmente difícil saber com quem estou falando nestas condições, concorda?
- Caramba, Annah, pelo jeito não signifiquei nada para você, não é? Você está namorando? Li um depoimento no seu perfil, há um tempo atrás.
Pronto! Foi o estopim. Comecei a bufar. A pretensa diplomacia tranformou-se em pequeninos dragões cor-de-fogo cutucando meus miolos fumegantes.
- Escuta aqui, seu...
- É o X, Annah, é o X.
Como assim, X??? Eu e minhas idéias de dar o número do telefone de casa pra gente abilolada da cachola.
Pô, mas o cara parecia normalzinho, quando o conheci. Trocamos telefones, saímos algumas vezes. Simpático, bom papo, cheirosíssimo...
Isso, isso! O cheiro. Lembrei-me do perfume dele. Foi o que realmente me marcou.
É incrível como os perfumes têm poder sobre mim. As cenas, situações, lugares e pessoas ficam registrados em minha memória afetiva.
E acho que foi o que milagrosamente salvou nossa conversa ao telefone. À medida que me lembrava, comecei a construir imaginariamente o rosto de X na parede da sala, para me acalmar. A gargalhada dele veio à minha mente, ecoou pela casa, invadiu o silêncio daquela noite fria.
Pois bem, ira controlada. Resolvi dar mais uma chance à "fragrância de grapefruit, genebra, bergamota e eucalipto, com notas de jasmim, almíscar e âmbar". Ah, minha Nossa, e como essa *fórmula química combinava com o pH de X...!
- Ah, sim, lembrei-me de você? Aconteceu alguma coisa para me ligar a essa hora?
- Olhe, para ser sincero, estou um pouco triste, sim. O dia não foi bom... muitas decepções.
- Sei, sei. Mas...
- Sabe o quê é? Sempre que me sinto assim, lembro-me de suas palavras. É automático, sabe?
- Palavras? Que palavras?
- Sei que estou sendo inconveniente, mas não consegui me controlar, queria ouvir sua voz, relembrar aquelas palavras de incentivo.
Conversamos até o dia clarear. Ou até que sentisse que um sorriso juvenil havia voltado para aquele rosto, pelo que me recordo, lindo.
Porém, antes de desligar, X quis ainda me confessar um último segredo: - Annah, durante nosso papo, senti seu perfume no ar. Muito louco o que vou dizer, você pode não acreditar. Mas esteja certa de que seu perfume jamais sairá de minha memória afetiva...
(*) "Escape for Men é viver a intensidade da vida a cada instante".
;D
16 comentários:
que paciência, hein?
só vc pra agüentar um mala desses. kkkkkkkkkkkkkk
é um prazer ler seus textos. viajo e racho o bico. ;)
beijolas, minha flor!
Ei Annah,
Eu também adorei teu cantinho. Tinha lido o último texto ontem e adorei! A gente vai se encontrando por ai e por aqui.
Beijão
Oi Annah, encontrei vc no google, pesquisando sobre o museu da lingua portuguesa.
Adorei seu blog!! Texto ótimo, me diverti a beça.
Queria que um gatinho triste me ligasse a essa hora. Ultimamente só ando recebendo telefonemas de operadores de telemarketing e outros malas de plantão. KKKKKKKKKKKK
abs.
Caramba, vc foi bem paciente .rsss
bjs boa semana
opa, já sei pra quem ligar quando tiver um dia frustrante. :)
você é um anjo de pessoa. eu teria chamado a polícia. rsrsrsrs
beijos, annah.
Paulito, prazer é ter você por perto, sempre.
Adooooooro! ;)
Beijolas, lindão.
Obrigada pela visita e o comentário querido, Zezel!
E que possamos nos encontrar muito nesse mundão "internético" de meu Deus. ;D
Beijo enorme!
Oi, Leila!
Obrigada pela visitinha via Google... :)
Fico feliz que tenha gostado do texto. Esteja certa de que me divirto muito com essas coisinhas malucas que acontecem comigo. ;D
Beijoca, volte sempre!
M.E.D.T., obrigadíssima pela visita.
Seja bem-vinda! ;))
Quanto à minha paciência, bem, foi o perfume, foi o perfume... eheheheh
Beijo e uma ótima semana pra você!
Luiz, vou programar uma secretária eletrônica querida para as crises existenciais dos amigos, hahahaha.
Volto a afirmar, foi o perfume, foi o perfume do cabra.
Sou um anjo do truque, isso sim.
;D
Beijão!
Aconteceu quase a mesma coisa comigo, mas o fim da história não foi muito bom.
hehehehe..
Vinicius, nem toda a história tem final feliz.
É a vida. ;o))
E coisa boa...
A vida é bela!
Bjocas, e ameeeei seu último comentário lá no blog, viu?!
Vc é 10...100000000...!!!
Outro bjo
:D
Lú, bom demais compartilhar essas sensações boas, né não? E esteja certa de que o meu recadinho lá no "Studio da Lú!" foi superemocionado. ;)
Não foi à toa que nasceu no dia 12 de outubro, Lú, pois você é uma mulher com alma de menina, um anjo... :o)
Beijoca!
Que perfume poderoso era esse rs? Tem que indicar esse p/ os malas rs
Lee, e cê acha que eu teria saco pro bofão, se o perfume não fosse força, luxo e poder???
Hahahahaha, eu só me divirto...
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