quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Que o hoje seja o nosso eterno*

Quando entre nós só havia risos e confidências.
Quando os mistérios não podiam nem tinham de ser revelados, estímulo saboroso entre nós.
Contemplávamos o horizonte nas íris embevecidas, profundamente apaixonadas.
Tudo parecia muito mais do que deveria ser.
Nossos olhares eram, muitas vezes, incomprensíveis, as palavras fugiam, as faces ruborizavam, o toque bastava.
Eu desenhava sóis em sua fronte, imaginava loucurinhas indizíveis... os raios desses sóis desciam pelo seu rosto, cruzavam seus lábios e se punham num beijo doce e delicado.
Ah, quantas noites passávamos em claro, hein?! Contando estrelas, acordando a vizinhança com nossas estrepolias pueris e gargalhadas contidas. Um brinde na madrugada.
- Com chá e biscoitos, cai bem?
- Tim-tim, amor meu!
Fazíamos planos absurdos para firmar o que considerávamos eterno, pelo menos em nossas mentes e corações, mesmo sabendo que, no fundo, aquilo tudo não passava de emoção efêmera. Ainda assim as nossas juras e promessas selavam uma realidade palpável, por ora, mas sabidamente utópica.
Sonhos infundados e frágeis de dois jovens maduros e absolutamente afinados, a criar e a querer continuamente a felicidade um do outro.
E como fomos (somos) felizes!
O tempo passa, passou, as expectativas também. E o amor se foi, o que parecia inconcebível para nós.
Às vezes penso que grandes amores não se apagam, ou não deveriam se apagar. Mesmo que resistam como uma chama fraca de vela acesa, que sopramos forçosamente, apagando-a, para podermos, talvez, reacendê-la na memória assim que a saudade chamar.
As cartas, os poemas, as músicas e os inúmeros mimos e bilhetinhos que compartilhávamos: legado e memórias táteis que guardamos carinhosamente numa caixa especial com as iniciais dele(a).
A ternura, o zelo e a admiração ficam, invariavelmente.

(*) E que seja finito para que dure...!
.

2 comentários:

paulo disse...

e será, minha flor!
;)

Leila disse...

Ainda bem que voltou, já estava com saudades de ler suas postagens.
Essa, inclusive, me trouxe uma lembrança muito agradável do passado.
Ai ai.. saudade!!! rsrs
Também acho que grandes amores jamais se apagam, ainda mais quando se trata do coração de uma mulher apaixonada pela vida. rsrsss
Bjs