sábado, 4 de abril de 2009

Monossilábica

Você tem fogo?
Não.
Preciso fumar. Você fuma?
Não.
Café.
O quê?
Quero um café.
Ah.
Conhece alguma cafeteria aqui na Paulista?
Ali.
Gosta?
De quê?
De café.
Sim.
Você vem sempre aqui?
Sim.
Mora perto da av. Paulista?
Sim.
Cansaço.
De...?
Da vida.
É?
É. Você não sente isso, ou já sentiu isso?
Claro.
Estou assim hoje.
É?
É. Sabe, tem dias que me dá um nó na garganta, vontade de chorar, relembrando o que passou... Meu passado, confuso; meu presente, fracassado. Reflexo do que foi, ou melhor, do que não foi. Não fiz. Isso!, não fiz. Já se sentiu assim?
Sim.
Hoje, chorei um pouco. Aliás, chorei muito. De cabeça baixa, chorei, para que os outros não me vissem; molhei a av. Paulista com as minhas tristezas, as minhas angústias. Rastro de inglórias. Falta-me perspectiva, sem saber pra onde ir, o quê fazer? Daí, bateu-me uma fome de cigarro, sabe?
Sei.
Encontrei você. Fome de falar, trocar, entende?
Entendo.
Agradeço.
O quê?
Sua atenção, olhar caridoso.
Nada.
É sério. Se fosse outra pessoa, teria me olhado com uma carranca assustadora.

(sorri)

Tenho de ir, de descer. Muito bom conversar contigo...
Bom.
Sinto-me bem melhor, aliviado.
Que bom.
Tchau. Boa sorte.
Boa...

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