domingo, 8 de novembro de 2009

Passeio

São Paulo, sete de novembro de dois mil e nove. Vinte e três horas e dez minutos, no visor do celular.
O dia estava quente. Fujo do sol. Sofro: minha pele é muito branca.
Relógio biológico, adequação, isso vem desde que me senti confortável ao passar a minha primeira noite em claro. Silêncio e solidão para pensar, produzir. Preciso me policiar, sempre. Afinal, somos - ou devemos ser, pelo andar da engrenagem - seres do dia.
Ai, mas essa noite estava deliciosa: clima fresco, brisa geladinha batendo no rosto.
Eu, na rua, caminhando, sorvete na mão. Cabelo solto brincando com o vento, roupas leves e esvoaçantes. Liberdade conquistada. Meu perfume - desta vez, masculino - contrastando com o aroma adocicado do sorvete. Bares lotados. As pessoas pareciam felizes, animadas. É o calor, pernas de fora, chinelão, birita nas mesas, papo rolando solto, risos. São as cores, a energia do Verão que se aproxima e aproxima as pessoas.
Olho ao redor, passos lentos para prolongar a sensação de prazer. Que brisa boa. Vontade de mais sorvete, de frutas vermelhas, desta vez. Vontade de dançar. Faz tempo que não danço. House Music. Ando preguiçosa: minha toca, minha vida.
Será que devo ir? Hell's Club? After Hours: não se esqueça dos seus óculos escuros - era o aviso simpático que vinha impresso nos flyers da primeira versão do Hell's. Será? Hummm, ótima ideia.
Cruzo o Viaduto. O vento que vem da 23 de Maio aumenta. Faróis, luzes vermelhas. Compro pastilhas, chocolates, revistas e jornais na banca. O CCSP está fechando. Amanhã tem espetáculo de primeiríssima. Oba, adoro.
Chegando em casa. Amanhã vou à igreja. Agradecer. Sempre.
Viro a chave. Tiro os chinelos. Pés no chão. Obrigada, Senhor, por mais um dia abençoado!

Amanhã tem mais.
Boa noite.


.

Nenhum comentário: